BACK TO HOME PAGE
EVENTS
POETRY IN MOVEMENT

FOOTPRINT presents the winners of the contest poetry in movement 2004

Poetry in Movement’, the first Lusophone poetry contest in the UK, has finally come to its end. We are very grateful to everyone who has supported this event: Bloomsbury publishing, The Brazilian Artists initiative, JungleDrums, Brasilnet and Leros Magazines, Brazilian News newspaper, The Embassy of Angola, The embassy of Mozambique, Graça Fish from the Brazilian Embassy, Radio Palop, Rebecca Pankhurst from DTI, Sonia Martins from UCL and overall, everyone who has submitted their works.
© Cecilia Madureira

SEE DETAILS 2005 CONTEST

Thanks to our supporters, the contest had 33 entries in total, with the participation of poets from Brazil, Portugal, Mozambique and Angola.
For those who haven’t had the opportunity to send out their poems, don’t worry, a second Poetry in Movement will happen next year!

Meanwhile, you can delight yourself not only by reading the 10 runners up poems on this website, but also by attending the performance that these poems has inspired. Come and watch the FootprintProject company perform in November at the Latin American Film Festival and other London-based venues. More information soon on the Brazilian Artists web site and in Jungle Drums magazine!

If you want to get in touch with us, send an e-mail with your suggestions, fears and questions to footprintproject@aol.com

Regards,

Gael Le Cornec
Director
FootprintProject

1st
Descoberta dos elementos
2nd
Limiar do tempo
3rd
'embora’
4th
Menina Eu
5th
PARTIR
6th
Coração Cangaço
7th
MAR
8th
Longe
9th
11 Odes Africanas
10th
Um poema em mini-contos: histórias de vocês

 

First - Go to top

Pseudônimo: Pitanga

Descoberta dos elementos

Américo


Acho que toda rima
já se usou,
sabendo disso
volto a essa casa assombrada
aos mil cômodos já vistos
visitados
e perdidos.
E à própria palavra já rimada
a mesma que nos rodeia
num mar redondo
espia quantos pontos se unirão
no mesmo instante,
e - de buscar-nos -
já não procuro, e calo
porque a rima sem valor
é a nunca usada,
como um par esparramado pelo vento
e como os pombos voam mais desavisados
por primavera, amor, abrigo
assim, meu pensamento...
Álvares


Entre a brancura e tal qual ave marinha
te entregaste a destinos voadores,
alva é a espuma que conduz tua orquestra
por portas entreabertas de oceanos.

Por ondas encrespadas deses mares,
e ventos carregando tantas nuvens
vão as velas enfunadas perseguindo
limites vitoriosos, terras novas.

Mais antiga que as idades, esta terra
delineada em praia azul escancarada
marcada por coqueiros clandestinos
imersa no silêncio de sua história.

Mais novo que teus anos, pensamento
que guia ao mar esta Nau Catarineta
no turbilhão de eras perseguidas
um homem busca a sós a própria glória.

Cabral

Se ainda não houvesses havido haverias de haver.
Ainda que não quisesses deter o passo,
a descoberta iminente,
minha mão traidora havia de jazer qual continente,
ainda que não quisesses nomeá-lo, possuí-lo, desembarcarias
porque ao levar todo um passado em mar aberto,
havia o porto.

E mesmo que para provar-te houvesse que provar-me,
e que a volta te levasse a contar a descoberta,
descobrindo-a,
sabia que jamais haverias de deixar de todo
jamais completamente
haverias de quitar toda tua dívida
que devia uma mão estendida ao alcançar teu pensamento
de que uma mão à outra acenará desde alto mar.

Nunca por mais que soubesses entenderias porque o tempo
quebrou a história e então, se tu deixaste a terra nova, ou se a terra
te deixou ao mar e ao vento?

Celeste


O céu ainda é o mesmo
sob o qual passamos
- pontilhado azul e branco,
vibra na poeira
desassentada das cidades.

Apazigua certificar o fato,
embora tantas portas fechadas
no passar dos labirintos,
digam que o mesmo já não é,
não está,
partiu.

A bandeira esticada
assiste e aquieta.
Nós e os ratos, perscrutando
diferentes sistemas viários
passamos e permanecemos.

Cada pequena mancha crepuscular
cria uma sombra.
O céu escurece um pouco,
imenso, ligando os horizontes,
trêmulo,
na sua instabilidade permanente.

Regata


O céu brilha num sem sol ardente
- chove sobre nossas pálpebras - mas há a luz.

O gelo que cai entusiasma a rima, um gato enrosca a cauda,
o parapeito da janela é um lar.

Insiste o resplandor ensombrecido
conhecer que o ato sem motivo
enobrece o espírito, qual a chuva,
um pássaro estende as asas e se precipita.
Imensa nave sem controle de si mesma.

Poder, querer ser grande e certo,
ceder sem fazer água o barco,
proteger o futuro do passado,
carregar as lembranças acolhidas,
resguardar funções respiratórias.

Ao fim, a gente toda se perde,
cada qual à sombra de seus desalentos.
Mas apenas para alguns chove
dessa chuva lúcida, de ver navios.


25.10.1994

Globo Esfera temida
adorada
balão
da fala
porta do silêncio
oco
ânfora de gás
ampulheta
areia dessangrando
passagem estreita
círculo
obstáculo
presença

Globo.

30.7.99.
Daring

Chuva de
folhas douradas
primeiras maçãs
vento instigante.
Falta oportunidade de poesia
[lugar que de tão bonito
... quase não tem alma]
A calma se agrega no olhar
acumula grãos, trigo na manhã
sol empoeirado.

Vê-se pouco.
A distância encurta o passo.
Enquanto os olhos se encontram,
outra é a voz.

Na revoada de pássaros
emergem
últimos dias do milênio.

8.99

Second - Go to top

Pseudônimo: Romano

Limiar do tempo

I - Gênesis

O destino do som
É se perder,
O ofício da pena
É persistir,
O fim dos olhos
É recordar.

II – Firmação

Há um momento na manhã,
Quando não há razão,
Quando ainda sou só abstração
Entre sonho e realidade,
Em que todo o desejo explode
E sou só saudade.

Há um momento na noite,
Quando não há sono,
Quando ainda sou só substância
Entre corpo e cansaço,
Em que toda a angústia remexe
E sou só vontade.

III – Reflexão

O amor não se descobre no primeiro toque,
Na primeira valsa,
No primeiro beijo.

O amor não se descobre no sono perdido,
Nos anos consumidos,
No filho esperado.

Descobre-se
N’ausência plena
Do mesmo rosto,
No som mudo
Da mesma voz,
Na lembrança lenta
Do mesmo tempo

 

Third - Go to top

Pseudônimo: Augusto Alias

'embora’

Os cabides vazios balançam tristes no guarda roupa sem o peso do cheiro das minhas vestes
a última camisa ainda está com as mangas dobradas e um suor poeirento marcando o contorno do pescoço
encaixotei tudo
discos lembranças roupas memórias livros bobagens quadros fotos...
e eu
onde me guardo ?
em qualquer lugar não me caibo
fiquei de fora com uma muda de roupa e uma antecipada saudade encomendada
O destino me escancara a boca em forma de longo túnel
E a barra do dia arrasta feito cortina na porta da sala
A sala nua...
Os olhos tristonhos das marcas dos pregos na parede...
E o som propagado a cada passada minha que reverbera...
Uma luz vou fingir que esqueci acessa
Que é pra quando em sonhos eu voltar não me assustar com meu próprio vulto
Que já apanhou amor pelo lugar e ficou

 

Fourth - Go to top

Menina Eu

Pseudônimo: Malou Barroso

Como se eu não a esperasse há muito,fazendo cara de levada, olhos de
bilha ,mãos atadas ;ela vem toda manha.Mais uma manhã.
Deve ter oito nao sei, há tanto que me visita , despeja graça , faz fita ,
tentanto me despertar.
Tem a imagem duvidosa, pode ser forte , maldosa; pode ser anjo, ser mel.
Roda sua saia de sonho,chita e renda..proponho: deixa -me em paz dessa vez.
Não me diz nada, não fala. Fica ali como culpa.Indelével.Como culpa.
Não me diz nada. Ela própria é toda palavra.

Como se eu não a desejasse há muito , fazendo cara de dor , olhos de mar,
mãos lavadas , ela vem toda manha. Mais uma manhã.
Devem ser oito ,não sei .Faz tanto que me conflita, despeja pena. Ferida.Tentando me magoar.
Parece bruta, nervosa.Pode ser feia, ser rosa.Nao é mais anjo nem mel.
Despe sua saia de sonho,curta e rota...proponho: deixa-me em paz de uma vez.
Não me diz nada, não fala.Fica ali como culpa. Indelével. Como culpa.
Não me diz nada. Ela própria é toda palavra.

Como se eu não a conhecesse há muito, sem cara , sem dor, sem , mar, sem...
pena; vem a menina pequena, que insiste em me acompanhar.
Lava minha face e me acorda.Dá-me a mão e me guia. Veste-me linda e
imponente. Anda-me .Canta-me.
Traz sua saia de sonho. Farta e certa ...proponho nada.
Não me diz nada, não fala. Fica ali como vida. Indelével como vida.
Palavra.



Fifth - Go to top


Pseudônimo: Diogo Soares

PARTIR
ao Yasser Omar, portuguesíssimo, apesar do nome esquisito

Levanta-te o Tempo, amigo,
segreda-te ‘urge partir’ –
obedece-lhe.

Faz a tua trouxa
mas fá-la leve de matérias
visíveis mas leve também das invisíveis –
faz-te breve, larga-te.
Não prolongues o olhar sobre o que fica,
estira-te sobre a colina seguinte, antecipa
a alegria de um novo vale,
rios de laranjada,
pomares de chocolate dourado, outras
aldeias em festa
e raparigas que vêm coroar o teu passo
solto com suas danças de fada.
Brinca com elas, aceita a sua bebida
doce-amarga com um travo fundo de canela
e que as tuas mãos não percam nunca
a generosidade de se darem
apertarem muito muitas outras
mãos e não faças caso se o coração
também se aperta, o importante
é que andes velejes skates comboies
bicicletes que rumes sempre em direcção
a Este, o Este da alma evidentemente
que na Terra tanto dá, que ela anda
sempre às voltas mas a alma não que
fica exactamente para lá depois dos
vales do vento e das flores cristalizadas
entre o azul perene dos olhos de crianças
espantadas e a brancura morna algarvia
dos finais de tarde que nunca acabam.
Não dês demasiada importância
às mouras encantadas.
Se necessário, refugia-te em antigos
mosteiros e nas suas ruínas escuta a oração
o cântico de incenso entre o silêncio, nas
pausas do cri cri das cigarras, abre o
teu rosto para o beijo do Deus sempre
menino que te agracia com um caminho liso
quase limpo de urtigas e te dá quando precisas
um companheiro de viagem.

Agora parte, amigo, parte!
Se sabes que tens de ir que nada te trave,
pois seria falta de educação chegar
atrasado, sobretudo quando ainda não
sabes quem te espera ao fim da viagem.
Não receies: garanto-te que saberás
quando chegaste.
Não haverá uma voz vinda dos céus ou uma
cruz em ‘X’ a indicá-lo.
Mas haverá uma cerejeira em flor e tu
quererás esperar pelos seus frutos; e
haverá um pássaro de uma espécie
que nunca viste que virá pousar perto de ti
e cantará uma melodia que tu quererás repetir; e
depois cairá uma chuva quente de bagos grossos
que aliviará o cansaço da tua viagem e quando
parar de chover saberás o cheiro da terra e os teus
olhos claros e a tua voz grave cantarão a alegria
de todas as coisas e saberás então que fazes
parte de todas as coisas e saberás
o dentro e o fora de todas as coisas e
saberás enfim a tua imortalidade.
Dirás então com a mesma certeza com que uma
criança aprende a dizer mãe quando está perante ela –
dirás Casa. E todos os amigos e toda a natureza
virão habitá-la.

 

Sixth - Go to top

Coração Cangaço

Pseudônimo: Augusto Alias

O seu olhar de longo alcance trespassou o ar pesado
Veio de encontro ao meu repentino feito um raio
Frio feito faca cega
Perfurante quanto água mole
Deixou sem rumo meus sentidos
Calou minha boca, tapou meus ouvidos
Ofuscou minha visão e racionou meu ar já escasso
Meu coração cangaço que não se contenta em só latejar e em pulsar somente
Perdeu a razão me virando ao avesso de repente
Meu juízo que era dono da palavra calou a voz
e deixou resmungando o coração valente
Eu do meu canto simplesmente emprestava meu peito
e via o coração bobo debater-se feito um demente
Travando uma férrea batalha contra todos
Latejando desritmado
Apanhando feito um cão danado
por não se contentar em apenas pulsar
por não se satisfazer em bater somente.

 

Seventh - Go to top

MAR

Pseudônimo: Giulia

Dono do mar, sou toda céu a te enxergar,
Me faço assim pra adormecer em ti,
Se eu acordar não diga que sonhei,
Diga que a sina é te amar e que a alegria há de remar
Para os braços meus e aos sonhos teus...

Mas se logo vem que mal que tem querê -lo bem?
Coisa tem pior: saber de cor o canto só!
Ah, se poucos sãos quedam ao chão por opção...
Isto ja fui, paisagem do frio ruindo ao escombro teu

E de qualquer vento leve a me investigar
Nasce o movimento que te põe a criar
Ondas tão dormentes, preguiçosos motins,
Sinto-te doente e melancólico sim!


Mar, se logo vens que mal que tem querer te bem?
Coisa bem pior: saber de cor um canto só!
Ah, se loucos são os que do chão só abrem mão...
Isto me inclui, passagem do rio indo ao encontro seu

E qualquer invento leva me a investigar
Este movimento que nos põe a dançar,
Ondas tão dolentes buliçosos festins,
Sábado contente, que insólito fim!

 

Eigth - Go to top

Longe

Pseudônimo: Malou Barroso

Estou longe.
E a sensação vertiginosa não é nova .Nasci longe.Pertenço a nada.Não
pertenço.
Sinto-me bem em qualquer lugar.
Sinto-me longe em qualquer lugar.
Sou caravela,saudade. Sou canibal, sou guerreiro. Selvagem.
Sou metade.
Estou longe.
e a intensidade das ondas que às vezes me cansam me viciaram e não sei mais
retornar.
Não há tão pouco porto. Não mais terras pra conquista?
Sei que há.Sei que há.

Trago o doce e o sal , sou raro.
Busco espécies, mais palavras.
Sou Pessoa, sou Villa.
Tenho o ritmo e a melancolia.
Sou o mar e a floresta.
Pele branca, carapinha.
Pés de indio, boca negra.
Tenho o cheiro à força.
Sou o longe e o longe.
Sou o começo....começo.
Imprecisão, necessidade.
Estou longe.

 

Nineth - Go to top

Pseudônimo: Pitanga

11 Odes Africanas

I

Voamos
cruzando a areia
saara
seara
alaranjada
estéril
eólica

diáspora mineral.


II

Repentina a mata
retoma sua sina,
esvaindo ébano
precioso,
em toras imensas,
sustentando a cidade faminta.


III

Acúmulo de casas submissas,
caindo em pé, tábuas em pregas,
triste cor ruga do,
invenções do escuro,
dum poente
abrupto,
negro nítido desfazendo-se
em fantasmas translúcidos,
distraídos na aventura
dos faróis.


IV

Adivinho as ofertas de fruta,
laranjas,
arranjadas,
piramidais,
semilúnio do sorriso,
sombrias tentações do sumo.

No oráculo de ébano
procuro o poder de confessar.


V

Sem o som
a hora recua.
Na cantoria
o dia
avança.

O negro - o alvo
obscuroclaro
performa
a dança do átimo.
E o que dizem as vozes,
e o que importa?
se na rua lavada em lama
escorrega outra memória
que a alegria ilumina
sonora
incessante
aberta fruta do meio-dia,
oferta de cor.

Na palma das mãos
clara
o tom que nos salva.


VI

Arrebatamento

Algo que nos chama
uníssono
vozes de mulheres
ritmo e fantasia
sorriso aberto no ébano
claro contraste.

A manhã fina
lavada de chuva
intitula canções.

Corpos fortes multicores
mãos faceiras
altivez princesa escrava
dos homens,
liberta-te
liberta-nos.

VII

Observatório

Lugar algum,
do horizonte mais confuso
à linha marinha,
imita
o ideal rasteiro e breve,
abrupto como a terra
que se encerra
enquadrada à beira do basalto.

Encontro-me
sob a redoma duma idéia,
o jornal diário mal pago,
à frente avançam os esperançosos.
A retaguarda equilibra, contrabalança
temores que ganham peso,
cortam as linhas:
pipas então desvencilham-se,
folhas ao vento.

Qualquer lugar que anule
o rastro
e evoque
a vida que pervade.
Pulsando sempre
os olhos alargados para fazer
caber
tantos impactos simultâneos.

Ando no centro de tudo,
onde o que gira é o mesmo ponto estanque.
Em qualquer data,
qualquer recolhimento é vão.

Um pensamento distrai:
enleva o verdor, a exuberante nuvem
coroada em sol de fim de tarde,
apocalipse breve.

Fim de um mundo,
início de outro.

VIII

Cabra das pedras
busca desafio em solo íngreme,
alma que em prazer de arestas
encrava seus cascos,
mais hábil que na planície.
Alguns buscam rugas,
texturas na terra
abrasões íntimas
nas quais refolgar.

Bramido impertinente
olhar demônio sábio
penetrante inocente malicioso
capricórnio
intacto
inato
sobe quanto mais alto
– o salto –
maior o isolamento
intento
cumes de si sós.

IX

Riscando o pano de fundo,
rasgando em tiras de crepon,
pequenas nesgas,
rusgas destemperadas
abrem um sorriso à revelia.

Silêncio da costa negra
a ondular manso,
redime as penas,
oscila sonhos.

Redes se desenrolam,
velas tênues
vento as desfaz,
alvas, quase gaze,
quase marolas.

Inofensivo, ao cair dos olhos,
segredo inquieto
rebrilha
ao lado dos peixes roubados,
na prata das flechas,
dessangra amanhãs.


X

O estuário anuncia-se, larguíssimo,
línguas de terra
e
braços de mar,
colóquio mutante de idiomas
vários,
constelações costeiras,
civilizações encarceradas
na beira mar.

Curvas entreabrem-se em espelhos,
prata dividindo a névoa da estação.

Março traz peixes,
telhados e chapas igualmente impávidos.
Navalhas na tarde
minguando
enquanto cai
o calor
e cresce a sombra abrupta.

Mar e continente envolvem-se,
abrigando confins
de ambos inícios.


XI

Suavenuvem
pálpebra fecha a floresta,
repouso leve,
sonodenso
contrapostos completam
imensidão das tardes.
Assim sem relâmpago,
abrem-se as águas,
sorvidas por folhas, umedecendo
a sombra de troncos.
Transbordando pétalas,
espiral
de
co
res
a precipitar-se.
Serapilheira já não crepita,
acomoda absorve silencia
corpos trêmulos de animais.
Dedos braços ombros
lianas cegas, espinhos ocultos
no báculo entreaberto,
transpiram
uníssonos no segredo
subterrâneo
da cabeceira a se formar.


Yaounde, Douala e Londres, 2003

 

Tenth - Go to top

Pseudônimo: Kaikilia

Um poema em mini-contos: histórias de vocês

Nascera feia, pobrezinha
Ganhou na loteria
Nossa, que gracinha!
Quem diria...

*

foi ao cinema
e pena
do filme, não se lembra
e pensa
- Preciso comprar feijão ou maisena?


*

escolhe o livro
compra o livro
chega em casa
cansada...
abre o livro
lê o livro
e dorme.

*

reclamara do choro da criança
de bebê não gostava
que triste se portava
não sabia o que era esperança

*

num jogo de futebol
se conheceram
no primeiro gol
se enalteceram
pena, torciam para times diferentes
e na primeira derrota
a separação veio a suas mentes

*

na televisão ele via a vida passar
E a vida passava
E ele lá a se enclausurar
E a vida passava

*

Ela limpava, limpava
Ele sujava, sujava
Respeito não existia
E ela era escrava, escrava

*
ele queria dirigir
mas o trânsito não deixava
mas não deixava de exigir
que o mundo ali acabava

*

O poeta escrevia
As idéias não surgiam
Faltava inspiração?
Não, a cabeça estava vazia

Go to top

Reminder - Although we take great care to ensure the listings are accurate, we remind you to confirm the events details with the venue before attending.We accept no responsibity for any mistakes. Please let us know if you find any incorrect entries. Thank you.

The A-Z of Brazilian Arts, Entertainment and Cultural Events in the UK

Have you spotted a mistake in this page ? Click here.