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Dear Friends,
Here
we are, once more, with the result of our poetry contest.
This year, we brought a contemporary theme to all human
history. We’ve thrown the question:
Why
poetry in times of war?
For
our surprise, loads of responses, the same quantity
as last year, when we had an open theme. From the 30
poems we received, only 8 are displayed here.
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Andrea
Amaral de Sousa, last year’s 7th place with the poem
“Sea” reached the 2nd and 7th place this year
with “The Scream” and “Sad Art”; Orlando
Moraes Junios show us the contradictions and balances between
poetry and war; Daniel Fonseca honoured us with his first
poetry; While João Carlos Meutefeul tells a critical
history of Brazilian Nation in ‘RAPsodic’ verses,
Tiago Teixeira Saraiva points out an intrinsic relationship
between poetry and war; fine artist Sérgio do Anjos
brought a minimalist and concrete hint to the group; and Lucas
Maciel tear our flesh apart with his “ragged flag scream”,
poem with which we initiate this virtual poetic collection.
We
wish everyone a Good Reading!
Footprint project team
footprintproject@aol.com
PS:
the poems are only available in Portuguese language.
Special
thanks, as always to: Amelia Alves from the Brazilian Embassy
in London, Bloomsbury Publishing and www.brazilianartists.net
Caros
amigos,
Mais
uma vez, aqui estamos com o resultado do nosso concurso de
poesia. Este ano trouxemos um tema contemporâneo aos
tempos atuais assim como a toda história da humanidade.
Jogamos a pergunta: Pra que poesia nos tempos de guerra? E,
para nossa surpresa, tivemos um grande número de respostas,
mesma quantidade que no ano passado, no qual o tema era livre.
Dentre 30 poemas apenas 8 estão aqui publicados.
Andrea Amaral de Sousa, nosso 5º lugar do ano passado
com o poema “Mar” encontra-se este ano em 2º
e 7º lugares com “O Grito” e “Triste
Arte”; Orlando Moraes Junior nos mostra os equilíbrios
e as contradições entre guerra e poesia; Daniel
Fonseca deu-nos a honra de receber sua primeira poesia; Enquanto
João Carlos Meuteufel conta uma história crítica
da nação brasileira em versos ‘Rapsodianos’,
Tiago Teixeira Saraiva aponta a intrínseca relação
entre poesia e guerra; o artista plástico Sérgio
dos Anjos trouxe um toque minimalista e concreto ao grupo;
Já Lucas Maciel, rasgou a nossa carne com seu “Grito
de bandeira esfarrapada”, primeiro poema com o qual
abrimos esta coletânea virtual.
À
todos, Boa leitura!
Galera
do Footprint project.
footprintproject@aol.com
Classificação Poemas
Footprint project 2005
First
- Go to top
Pseudônimo:
nego
O
meu grito de bandeira esfarrapada
Por Lucas Maciel
Para que poesia em tempos de guerra?
Poetas não lutam, não matam soldados
Não salvam vidas.
Os poetas apenas divagam,
Parafraseiam a tragédia
E nela sorriem.
Sim,
a poesia é trágica
E, tragicômicos são os poetas
È a dor que a norteia
A ferida aberta se transforma em grito poético
A alma sofrida tenta salvar-se
Assim como na guerra.
O
meu canto é de guerra
Ele se transforma em milhares de ais
O meu grito é de sofrimento, de povo
De guri de pés descalços
E de pele mulata
Que só quer viver em paz
E
tu, por quê guerreias?
Se é injusta a tua causa
Se vais sofrer, e sofrerão muitos
Serias como o poeta,
Que, na alegria busca a tristeza,
Que regozija-se no sofrimento?
O
teu grito de bandeira esfarrapada
Há de morrer, como o teu coração
aflito
E a poesia, esta sim sobreviverá
Para lembrar da tragédia,
Para acalmar os corações,
E para amedrontar os ditadores.
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Second - Go to top
Pseudônimo: Andreia Amaral
"O
GRITO"
Por Andreia Amaral de Sousa
Na
cidade surda um grito cortou os meus pulsos.
Vestida de sangue, carne e poesia,
atravessei desertos mais férteis do que esta
existência,
que se espreguiça junto a espinhos de não
perdões e,
sem aviso,
acorda numa reprimida versão de um paraíso
blasfemado.
Afogada
em mim, perdida, suja de pensamentos,
maltratada pela seca dos vãos sentimentos,
exausta de implorar pelo calor de frios passageiros
desta terra a qual nunca
pertenci,
O grito surgiu de súbito e se extinguiu com idêntica
velocidade, mas deixou
herança
Era
o desejo. E ninguem mais pode ouvir.
Entretanto considerei.
Clamei
pelo toque sobre a carne umedecida da sede de desejar.
E ainda clamo para que alguém em mim se plante,
Esfomeada, anseio o alimento, o arrepio, o afago, o
violento rasgo da pele
quente,
o prazer pela morte, o passeio desvairado pelas entranhas
da vida e, enfim,
a sua invasão.
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Third
- Go to top
Pseudônimo:
Sergio Terra
SOB
O CÉU
por Sergio dos Anjos
SOB
O CÉU
DO
BARCO LÂMINA
ÁGUA DE MADEIRA OPACA
LUZ ANZOL QUE CORTA
AS MÃOS DE CARBONO VINHO
DO
ANZOL OPACO
ÁGUA DE VINHO LUZ
MÃO DE MADEIRA
NA LÂMINA DO BARCO CARBONO
DO
BARCO LUZ
A MADEIRA ANZOL
CORTA A ÁGUA CARBONO
E NA MÃO OPACA – O VINHO
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Fourth - Go to top
Pseudônimo:
Gandalf, o cinzento
Acho
que so há poesia se houver (algum tipo de) guerra
Por Tiago Teixeira Saraiva
Se eu procuro a razão de ser assim,
me vejo de frente à contradição.
se tento me esconder da vastidão,
sou poeta sujo e covarde, em fim.
guerra
não é só bala, fuzil e o mais.
também é solidão e desconsolo.
não são fatias de um mesmo bolo
as quais todas pesam, em si, iguais?
fazer
poesia é quase como uma guerra
ambas obras dos "donos" da terra
ambas árduas e irreversíveis.
mesmo
com a tecnologia da nasa,
acho que a poesia está para a casa
assim como a guerra está p’ros fuzíveis.
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Fifth - Go to top
Pseudônimo:
João Gordo
“Apenas
mais um”, por João Carlos Meuteufel Junior
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Sixth - Go to top
Pseudônimo:
Orlando
TEMPO
Por Orlando Moraes Junior
Talvez
do principio já havia...
Guerra!
Mas também se havia...
Poesia!
O homem se conrrompeu e houve...
Guerra!
Mas também algo mudou, novamente se houve...
Poesia!
O tempo eh uma limitação humana
e aos gananciosos, insensatos e desumanos,
deve-se haver...
Guerra!
Mas, aos puros de consciência e desprovidos de
petulâncias, sempre deverá
haver...
Poesia...
A guerra leva-se a morte!
A poesia exalta-se a vida!
Para que poesia em tempos de guerra?
Onde houver tempo sempre haverá poesia, pois
uma vez morta, findaste o
Tempo!!!
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Seventh
- Go to top
Andreia
Amaral de Sousa
"Triste
arte"
"Se a tristeza fosse feita de madeira,
eu a moldaria de um jeito que a tornasse mais bela.
Sua aparência se tornaria rebelde, apaixonada
e infantil,
Se dela enjoasse, persistiria nas transformações.
E finalmente, após tantos desgastes,
singelamente a abreviaria numa interrogação
vil.
Com
as poucas sobras, a refaria linda e arrogantemente frágil,
para desfrutarmos, em harmoniosa convivência,
do curto período que minha tolerância oferta
ao oco e ao vazio enfeitado de
ilusão...então a reduziria a poeira -
medalha que seu peito jamais honraria.
E no instante em que depositasse as sobras de pó
do antigo pesar
no ralo da pia do banheiro,
talvez perdesse este meu rosto".
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Eigth
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Pseudônimo:
Daniel Bokanzsche
Para poesia em tempos de guerra.
Por Daniel Fonseca
Meus
conflitos são combatidos...
Por que eu adoro guerrear.
Enfrento, não cedo, avanço...
Escrever, ler, namorar.
Os
motivos da dor variam...
Mas alegria sempre impera.
Por pior que seja o sofrimento
A luz sobrepuja às trevas.
A
fé tem que ser raciocinada...
E o respeito tem que existir.
Afinal somos aprendizes...
Nessa vida que pouco vivi.
Combato
o meu lado imperfeito...
Para tentar me equilibrar.
E valorizo o meu lado bom...
Para as pessoas exemplo ensinar.
Aprendo
com as crianças...
Sobre a arte de viver...
Pois em sua vã ignorância...
Não há lutas, não existe sofrer.
A
guerra só é da boa...
Quando combatemos o lado mau.
Compreendendo os erros alheios...
Porque errar também é legal.
Uma
pessoa é a soma...
Da cultura e crença local.
Então o conceito de um...
Não pode ser regra geral.
A
arma da vida é o amor...
A poesia, o sorriso e o abraço.
O combate com esse armamento
Faz da guerra um grande barato.
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